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A ESTRELA DE NATAL

Meu colega Doneivan Ferreira me enviou este texto. Mesmo fora da época do Natal eu achei interessante divulgar o que ele considerou uma reflexão provocativa. Curiosamente eu já escrevi num boletim da igreja um pequeno artigo intitulado “Nem Três, nem Reis, nem Magos” com alguns pontos em comum.


A época natalina me fez pensar nas especulações que costumam emergir envolvendo a estrela que guiou os “Reis Magos” ao menino Jesus. Aproveito a ocasião para abordar trechos de uma pesquisa que serve como reflexão natalina. Como o assunto é astronomia, recomendo para um aprofundamento dos estudos os trabalhos de Hugh Ross, Ph.D., doutor em astrofísica e autor de vários livros, incluindo “The Fingerprint of God” (Promise Publishing Co. Califórnia, 1991).

Como pode ser verificado em várias ferramentas de grego antigo, a utilização da palavra “magos” em várias versões bíblicas na língua portuguesa, talvez não seja a mais apropriada para designar os homens que procuravam o menino Jesus. A palavra grega “magos” tem origem babilônica e pode ter vários significados, incluindo: um homem da ciência, um sábio, um astrólogo, um profeta, ou vidente. Lendo o livro de Daniel, podemos facilmente associar esta designação aos filhos de Judá (Daniel, Hananias, Misael, e Azarias, respectivamente chamados pelos babilônicos por Beltessazar, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego).

Estes homens exerceram a função de conselheiros na corte real da Babilônia (Daniel 2:48-49). Teriam eles sido astrólogos, supersticiosos e esotéricos? A narrativa indica que Daniel e seus amigos, apesar de serem instruídos em todo conhecimento do Oriente, eram adoradores e submissos ao Deus verdadeiro. Analisando estas informações e fazendo uma comparação com a narrativa de Mateus, conclui-se que os sábios também tinham conhecimento de profecias messiânicas (talvez até algumas desconhecidas hoje), pois foi através da interpretação destas que eles fundamentavam sua esperança de ver o Messias (“…porque vimos sua estrela no Oriente, e viemos para adorá-lo”, Mateus 2.2).

Vale lembrar que a ciência da Babilônia era muito avançada (e.g. astronomia e calendários). Assim como sugerido por Ross (2002), também acho razoável assumir que os “reis magos” eram na verdade sábios estudiosos do Oriente, fiéis ao Deus vivo, e parte da herança deixada por Daniel, Hananias, Misael, e Azarias nos tempos do cativeiro babilônico.

Apenas um pequeno texto descreve a visita dos sábios a Jesus. O texto é limitado em detalhes e não permite esclarecer quantos sábios eram, que idade tinha o Menino Jesus (1, 2, 10 anos) e, muito menos, a natureza da estrela ou fenômeno astronômico que os levou a Belém.

Contrariando os dogmas e pressupostos tão difundidos atualmente, o texto não define que eram TRÊS “Reis Magos” (ou sábios). Esta ideia vem provavelmente da suposição de que cada sábio era portador de um dos três presentes mencionados na narrativa de Mateus (ouro, incenso e mirra) (Mateus 2.11). Tecnicamente, os três itens podem simplesmente ser a generalização de todos os presentes. Por exemplo, dois colares de ouro, quatro tipos de incenso, e cinco tipos de mirra; ou, simplesmente, ouro, incenso e mirra. Não existe base para afirmar quantos sábios eram de fato, mas estes poderiam estar em qualquer número igual ou maior que dois.

Apesar da narrativa de Mateus ser contínua, isto não quer dizer que os fatos tenham ocorrido cronologicamente sem interrupções. Não há fundamentos para afirmar que Jesus era ainda um recém-nascido quando os sábios vieram para adorá-lo. Observe que a narrativa sobre os pastores do campo não menciona nenhuma estrela. Da mesma forma, a narrativa sobre a visita dos sábios não menciona uma estrebaria e sim uma casa. Nesta mesma narrativa também não são mencionadas a manjedoura e nem a presença simultânea dos pastores. Pronto, lá se vai nossa imagem de presépio com pastores, manjedoura, reis magos e uma grande estrela sobre eles. Isto serve para demonstrar que muitas vezes baseamos nossas crenças em tradições e não na realidade dos fatos. Por isso devemos ser humildes e abertos a questionamentos.

Quanto a palavra estrela, o termo grego original “aster” pode se referir a qualquer tipo de corpo ou evento celeste, estrela, planeta, asteróide, cometa ou meteoro. No entanto, as três explicações mais aceitas para explicar este episódio são: (1) uma supernova; (2) um cometa; ou (3) uma conjunção de planetas.Supernovae (a forma plural da palavra supernova).

Supernova é um fenômeno tão espetacular que dificilmente passaria despercebido por observadores. No entanto, somente a narrativa de Mateus menciona a tal estrela. Como o fenômeno foi ignorado por líderes judeus e outros sábios da época, este cenário de supernova parece pouco provável para explicar nossa estrela de Belém.

A Supernova é um fenômeno realmente surpreendente. Existe um estudo que sugere que a supernova VELA (ocorrida na constelação de Vela) teria causado mudanças no relógio celular de alguns organismos (“Terrestrial Paleoenvironmental Effects of a Late Quaternary-Age Supernova”, pelo geofísico G. Robert Brakenridge, no Journal Icarus, 1981, vol. 46, pp. 81-93). Brakenridge descreve dados que datam a supernova VELA como tendo ocorrido entre 9300 e 6400 A.C. Estas datas se encaixam dentro de uma possível janela cronológica do Dilúvio de Gênesis. Brakenridge demonstra que VELA teria ocorrido cerca de três vezes mais próxima da Terra que qualquer outra supernova durante a curta existência de seres humanos na face do planeta. Esta talvez seja a maior fonte de raios cósmicos (que afetam proteínas) que atinge nosso planeta hoje.

Cometas – por serem relativamente comuns, também não se encaixam no cenário descrito em Mateus. Devido a frequência com que aparecem, cometas não mereceriam tanta atenção por parte dos sábios e o fenômeno certamente seria melhor explicado por Mateus. Ross (2002) argumenta que, por serem tão bem documentados através da história, se o fenômeno narrado em Mateus fosse de fato um cometa, este, pela narrativa, seria um cometa raro com comportamento singular, e, certamente, provocaria outras citações históricas.

Conjunção de planetas – não há relatos de ocorrências importantes envolvendo alinhamentos ou conjunções planetárias durante aquele período da história. As órbitas dos componentes do sistema solar são profundamente conhecidas e de fácil rastreamento. Além disso, os sábios poderiam distinguir os diferentes planetas envolvidos em uma possível conjunção e aí seriam duas e não apenas uma estrela.

Ross faz uma importante contribuição em um estudo de 2002 sugerindo um fenômeno conhecido por Nova Recorrente (Recurring Nova). Uma supernova ou nova típica (um fenômeno claramente visível), éuma estrela de gigantesca massa que tem seu brilho subitamente intensificado e, em um espaço de poucos meses ou anos, vai perdendo o brilho. Novae não são raros. Estatisticamente detectamos uma a cada dez anos. No entanto, as Novae Recorrentes seriam suficientemente raras para chamar a atenção dos sábios do Oriente e, ao mesmo tempo, suficientemente discretas para escapar a atenção de outros olhos destreinados. A maioria das Novae passam por apenas uma explosão.

Por outro lado, as novae recorrentes, apenas uma pequena fração das novae, podem produzir múltiplas explosões em frequências que variam de meses a anos. Este ciclo de meses ou anos parece satisfazer o cenário narrado em Mateus que indica que a estrela apareceu, desapareceu, e voltou a aparecer algum tempo depois. No original grego, a tradução literal da narrativa é: “Observe a estrela, que eles viram no Ocidente, foi adiante deles até parar sobre onde estava a criança”. Ross (2002) enfatiza que a palavra chave aí é “histemi”: fazer ou causar uma parada; apontar; colocar, por-se, estabelecer-se; ficar firme, fixar-se; fazer algo ou alguém manter sua posição; ou sustentar algo. Portanto, o texto não é conclusivo quanto a distinguir entre um processo de guiar ao longo de uma rota geográfica e um aparecimento, desaparecimento e reaparecimento supernatural e de sincronia precisa. Sem querer forçar uma aplicação ao texto, a narrativa original indica que a primeira aparição não guiava geograficamente os sábios, o que corrobora para a tese de uma nova recorrente.

O que é mais importante para nós cristãos, é a lição da esperança depositada na vinda do Messias. Os sábios investiram seu tempo (possivelmente meses), energia, e tesouros na busca do Messias. Eles queriam adorá-lo.

Seja como for, seja por um evento supernatural ou por um fenômeno natural em perfeita sincronia com os acontecimentos, a estrela foi de fato um milagre que Deus usou para sua Glória. Nenhuma das possibilidades altera minha fé. No entanto, a possibilidade de ter sido um fenômeno astronômico, uma nova recorrente, me faz pensar que este evento teria demorado alguns milhares ou milhões de anos para se tornar visível para nós, já que até a luz viaja limitada pelo tempo (299.792,458 km/seg., ou seja, em 1 ano a luz viaja aproximadamente 9.5 trilhões de Km, e ainda, a luz do Sol demora cerca de 8 minutos para ser vista por nós na Terra). Poderíamos dizer que o brilho da estrela era como um cartão enviado há muito tempo atrás, antes mesmo da existência dos seres humanos, chegando na hora exata para anunciar que a Paz Verdadeira já estava entre nós. Um sinal que viajou rasgando com brilho surpreendente um espaço escuro, silencioso e vazio. Um sinal de tão longe para anunciar que a Paz estaria tão perto, tão ao alcance de todos, tão disponível, mas, de igual modo, facilmente rejeitada.

Nesta data celebramos o Natal, o marco histórico do nascimento de Jesus. Se você já conhece esta Paz, faça brilhar a sua luz, pois o sinal luminoso agora é você. Assim como ocorreu no passado, esta luz segue viajando cercada de escuridão que precisa de luz, de silêncio que precisa de canção, e de vazio que precisa ser preenchido.Feliz Natal. Feliz Ano Novo. Muita Paz!

Doneivan F. Ferreira (Dez/2006)

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Você tem a revista para estudar o Gênesis na EBD? Dê uma olhada nos três primeiros capítulos: clique AQUI.

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Eu deixo duas perguntas provocativas para os nossos irmãos leitores que estão estudando Gênesis em suas igrejas:

1) Se formos literais ao interpretar “a imagem e semelhança de Deus” significa que Deus tem unha, apêndice e cabelo no nariz que nem a gente? Seria isso uma forma de antropomorfismo? Não seria limitar Deus?

2) Comer da “árvore do conhecimento do bem e do mal” ou da “árvore da vida” é um questão de dieta ou hábito alimentar? Seria uma questão de bioquímica? Ou novamente seria uma questão simbólica para exemplificar obediência e limitação humana?

Espero que essas e outras questões provocativas estimulem os irmãos no estudo da Bíblia no domingo em sua igreja. Abraços provocativos. :-)

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Este domingo (13/01/2013) a lição da revista Compromisso que estaremos estudando na EBD é “O homem tornou-se alma vivente, A criação do ser humano” (Genesis 2:7-25).

Existe alguma diferença entre os relatos dos capítulos 1 e 2 de Gênesis?

Se existe, por que esta diferença?

Qual o objetivo?

Por que razão Deus criou o homem?

O que você compreende como “imagem e semelhança de Deus” no homem? (Excelente assunto para um futuro artigo)

O que você destacaria na identificação do homem e da mulher?

Estas são algumas das questões que a lição levanta logo no início. Se você ainda não participa da EBD aproveite este novo e empolgante tema para começar.

um abraço e até o próximo domingo onde estaremos estudando a lição 3  “O primeiro casal desvia-se do plano de Deus, Adão e Eva comeram do fruto proibido”

veja os posts anteriores sobre o assunto: aqui

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Tempo de Deus, Tempo do Homem – parte 1

Como entender o tempo no livro de Gênesis? Qual a idade da Terra?

Primeiro devemos entender que os 7 dias da criação não são dias de 24 horas e sim eras (períodos de tempo longo e indeterminado). Fica muito mais fácil conciliar a visão científica da formação do Universo se você superar esta interpretação literal da bíblia. Há várias motivos para pensar assim. Primeiramente temos que pensar que a noção de dia pressupõe  o tempo que a Terra demora para dar uma volta. No tempos do velho testamento a referência para este movimento era o nascer e o por do Sol. Ora se formos literais o Sol só surge lá pelo quarto dia da criação. Logo os termos tarde e manhã que aparecem ao final de cada dia são apenas simbólicos. Temos textos bíblicos que também devem ser levados em conta quando pensamos em tempo de Deus e tempo do Homem.

Salmos 90:4 Porque mil anos aos teus olhos são como o dia de ontem que passou, e como uma vigília da noite.

Eclesiastes 3:11 Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs na mente do homem a ideia da eternidade, se bem que este não possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até o fim.

Afinal de contas a maior diferença entre nós homens e nosso Criador é exatamente o tempo. Deus é eterno, nós somos temporais. Ser infinito não é o mesmo que ser eterno. Infinito é sem final. Eterno é mais que isso: é sem início nem fim. O que é eterno está “fora” e “acima” do tempo. Só Deus é eterno. Ao criar o Universo Deus criou também o tempo. Quem controla o tempo tem todo o poder. Ele não depende de tempo para agir. Por outro lado nós estamos no tempo e ele nos determina e nos limita.

Ao pesquisar sobre o assunto para comentar aqui no site da igreja fiquei surpreso ao ver outros sites de evangélicos que argumentam que a ideia de uma Terra Antiga é anti-científica e que existem evindências naturais que sustentam a ideia de uma Terra de 6000 anos (seguindo as genealogias humanas encontradas na Bíblia).

A ciência moderna tem vários elementos a favor de um Terra Antiga muito mais velha que alguns milhares de anos. Existe as evidencias geocronológicas baseadas na datação radioquímica das rochas que indicam idades de milhões de anos. Alguns textos que li mencionam-se criticas de cientistas aos métodos radiométricos: para mim isso é uma surpresa, nunca ouvi falar disso. Ainda vou pesquisar mais sobre o tema e trago informação  o mais confiável possível para os colegas e irmãos leitores.

Mas para não sair muito da minha área: a astronomia tem provas inquestionáveis de que o Universo é muito, mas muito mais velho do que 6000 anos.

A luz não se move instantaneamente. Sua velocidade é de aproximadamente 300000 km/s.  A esta velocidade a luz que sai do Sol demora uns oito minutos. A luz do planeta mais distante do Sistema Solar (Netun0) demora horas para chegar até aqui. A estrela mais próxima de nós chama-se Próxima Centauri e sua luz demora um pouco mais de quatro anos para nos atingir. Se o Universo tivesse somente 6000 anos veríamos muito menos estrelas no céu e nenhuma galáxia.  A maior parte das estrelas estão muito mais longe que isso. Podemos ver através de telescópios galaxias inteiras com milhões de estrelas. Ao medirmos suas distâncias obtemos valores da ordem de bilhões de anos. Logo essa é apenas mais uma evidencia natural que o Universo que nos cerca é muito velho.

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A foto da direita temos ao fundo a galáxia de Andromeda que está a mais de 2.6 milhões de anos-luz de nós enquanto a imagem da nossa Lua se superpõe. A Lua está a miseros 1.2 segundos luz.

Creio que muita polêmica existe apenas por haver uma visão muito restrita do texto bíblico e pouco conhecimento das teorias científicas.

Para saber mais ler http://pt.wikipedia.org/wiki/Geocronologia

ver post anterior

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“Tudo quanto fizera era muito bom”
Deus cria o Universo – Estudo EBD – Revista Compromisso – Domingo, 06/01/13

Segue o link para os slides do aulão da semana passada sobre o capítulo 1 do livro de Gênesis: https://docs.google.com/file/d/0B1VOiBHd2WlXaVlwUm1Db1FnSTg/edit

Em breve um artigo sobre o assunto, aguarde.

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Símbolo e Significado

Mat_26:26  Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, abençoando-o, o partiu e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo.

Joh_6:31 Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Do céu deu-lhes pão a comer.
Joh_6:32-35 Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu.
Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.
Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão.
Declarou-lhes Jesus. Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais tará sede.

Isso quer dizer que comemos o corpo de Cristo toda vez de comemoramos a ceia? Somos então canibais? Imagine um pão “sírio” caindo do céu?

Todos sabemos que o pão aqui é um símbolo. O que temos q ter  em mente é o uso adequado do símbolo e não sermos literais. Na verdade, a linguagem bíblica é cheia de metáforas e analogias. Sendo literais cometemos enganos incríveis. Muitas vezes damos mais valor ao símbolo que o significado que ele carrega.

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Céu Bíblico

Em uma das suas férias você provavelmente visitou uma fazenda ou praia, bem longe da luz da cidade. Nestas condições você pode ver muitas estrelas… Parece que o céu está mais perto, não é? A primeira vista nota-se uma confusão de pontos brilhantes sem nenhuma ordem.  Como se achar neste céu aparentemente caótico?

Imagine agora o céu visto dos pastos do antigo oriente médio.  Os primeiros pastores que tinham que passar a noite acordados guardando seus rebanhos olhavam aquele céu esplêndido e começaram a notar regularidades.  As estrelas não mudam a posição uma em relação à outra durante o seu lento movimento ao longo de uma noite.  Formaram então desenhos imaginários onde colocavam coisas do seu dia-a-dia e muita coisa da sua imaginação (lendas, deuses e histórias).  São as chamadas CONSTELAÇÕES.  Noite após noite, porém o conjunto de constelações visíveis muda lentamente (“uma noite conta segredos a outra noite”… ver Salmos 19:1-6).  No meio delas se movem “estranhas” estrelas errantes: os planetas (deriva do grego planetes: “que vagueia, que viaja”).  Estes astros movimentavam-se través de uma faixa do céu que se usou chamar de zodíaco (caminho dos animais).  Aos olhos dos antigos parecia que tinham vontade própria, alguns até se moviam para trás durante algum tempo (como se mudassem de ideia).  Sendo os astros mais brilhantes do céu: eram eles Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Sol e a Lua – 7 astros errantes.  Daí surgiu toda uma mística em torno dos planetas e das constelações zodiacais.  Deste misto de astrolatria (adoração aos astros) e adivinhação surgiu a astrologia.  O nome mais apropriado para esta pratica mística seria astromancia (adivinhação através dos astros).  Praticamente todos os povos do Oriente Médio consideravam os planetas deuses.  Por isso os céus foram associados à idolatria nos textos do Velho Testamento.

Isaías 47:13 – “Cansaste-te na multidão dos teus conselhos; levantem-se pois agora e te salvem os astrólogos, que contemplam os astros, e os que nas luas novas prognosticam o que há de vir sobre ti.”

Juízes 5:20 – “Desde os céus pelejaram as estrelas; desde as suas órbitas pelejaram contra Sísera.”

Jó 38:31-33 – “Podes atar as cadeias das Plêiades, ou soltar os atilhos do Orion?

Ou fazer sair as constelações a seu tempo, e guiar a ursa com seus filhos?

Sabes tu as ordenanças dos céus, ou podes estabelecer o seu domínio sobre a terra?”

Usando o céu como um calendário os antigos podiam prever as estações do ano vitais para a sobrevivência numa sociedade agropecuária. Adoração e previsão andavam de braços dados.

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O que é sobrenatural?

Uma das coisas que logo aprendi em Ciência é que os conceitos dever ser bem definidos. Palavras devem tem significado claro e exato. Definir  logo de cara os termos de um assunto é fundamental para saber do que estamos falando. Assim quando te falo algo devo fazê-lo entender o contexto em que essas definições são válidas. Senão ficamos “viajando na maionese” e não estou falando daquilo que você compra num vidro e coloca na salada. Alguns termos usados sem cuidado em nossas igrejas me incomodam, pois vão de encontro a uma malha de conceitos e dão margem a uma variedade de mal entendidos.

O que é natural?

O termo “natureza” tem sido usado como sinonimo de tudo aquilo que existe, mas geralmente nós, raça humana, nos excluímos. Isso cria alguns conceitos exóticos e errôneos. Um fenomeno é taxado de natural ou artificial conforme tenha ou não participação do ser humano. Nossa cultura é colocada separada da natureza, quando não oposta a ela. A natureza é composta de animais, plantas e minerais. Ora, somos animais, fazemos parte da criação de Deus. A diferença é que somos racionais (o que só aumenta nossa responsabilidade). A inteligência é o nosso recurso natural para sobrevivência da mesma maneira que abelhas constroem complexas colmeias para viver e macacos usam ferramentas pra se alimentar. Nós e nossos recursos “culturais e intelectuais” fazemos parte da natureza.

O que é sobrenatural?

Se você crê na Bíblia, crê que Deus criou tudo e que existem seres não físicos: entes diferentes daquilo que usualmente chamamos de natural. Seria bom rever as definições de natural e sobrenatural. Anjos, fantasmas, demônios ou outras criaturas parecidas geralmente são classificadas como sobrenaturais. O prefixo “SOBRE-” significa acima ou superior.  Logo se a natureza é toda a criação de Deus nada nela é sobrenatural. Só Deus é sobrenatural. E aquelas coisas que parecem não se enquadrar no nosso conceito de objetos físicos. Podemos dizer que anjos e demônios são seres espirituais. Seres que em algum momento foram criados por Deus, logo fazem parte da natureza, apenas estão em um nível muito diferente do nosso. Um nível de existência menos restrito a coisas que nos amarram e nos definem: tempo, espaço, matéria e energia.

Mas os milagres? Não são sobrenaturais?

A palavra bíblica que geralmente traduzimos por milagre pode significar: sinal (do hebraico: ´ôth ou do grego: ésêmeion),  maravilha (do latim miraculum, do grego teras ou do hebraico môpheth) ou poder (do hebraico gebûrah ou do grego dynamis ). Resumindo, se um evento é espantoso e sinaliza o poder de Deus: este é um milagre.

Quando era garoto adorava assistir uma série de ficção científica chamada “Túnel do Tempo” (http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Time_Tunnel) onde dois cientistas viajam meio ao acaso pelo tempo assistidos por uma equipe. Numa das suas aventuras eles caem em plena Jericó sitiada antes de Josué ataca-la. Uma das personagens era uma cientista extremamente cética que assistiu a tomada da cidade e argumentava que foi  um fenômeno natural (um ciclone ou terremoto, não me recordo) que fez os muros caírem. Muitos milagres podem ser explicados por fenômenos naturais (ventos, chuva, animais etc.). Isso já foi sugerido para o mar aberto durante a fuga de Israel do Egito e até Jesus andando sobre as águas. Entretanto o que faz um evento ser considerado milagre não é sua possível explicação natural mas sim o momento propício em que acontece e o significado que ele traz para os envolvidos.

Como a ciência está longe de conhecer todos os fenômenos e processos da natureza, Deus pode usar princípios e forças naturais que nem sonhamos existir. Mesmo coisas aparentemente impossíveis como a ressurreição de mortos e a multiplicação dos pães podem ter explicações naturais que implicam um conhecimento tremendo da essência da matéria e da energia. Como Deus não faz algo que seja maior que ele mesmo seus atos miraculosos não são sobrenaturais em si. A fonte dos milagres é sobrenatural mas o fato em si não é. Apesar de ser algo muito além da nossa capacidade de compreensão: um milagre é algo criado por Deus. Assim sendo um milagre faz parte da natureza mesmo que seja algo muito incomum.

Resumindo

Quando eu canto “… Rompendo em fé, a cada dia vou mover o sobrenatural com ousadia vou mover o sobrenatural…” isso sempre me incomoda um pouco. Ai eu penso: “Não é bem assim que a banda toca”. Deus nos convida a sermos ousados mas não a manipula-lo conforme nossos interesses. A fé move montanhas, mas elas (as montanhas) são tão naturais como nós. Só Deus é sobrenatural. Ele é sobre todas as coisas, pois todas as coisas passaram a existir por sua vontade.

Demorei a escrever este artigo. A muito queria falar sobre estes conceitos, contudo temia não ser claro o suficiente. Se você discorda ou ficou na dúvida me escreva, ok?

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